Vejo pela janela mais uma chuva de verão que cai. nem forte, nem fraca, cai apenas pela força da gravidade/gravidez do momento.
Suas gotas/cartas de baralho, quase quentes, em contato com o chão falecem, mas se um leve encostar ocorre com algo vivo causa uma explosão luminosa. Por isso todos saem de suas casas. Já haviam se programado para isso, os jornais anunciaram que cairia a qualquer momento.
Eu também havia me preparado guardando negativos de fotos bonitas como que para asistir um eclipse. Mas este evento não se veria a olho nu, ou nem se veria. Daqui debruçada na janela como sempre não presenciaria nenhuma das explosões.
um pouco antes, quando acordei e vi aquele balé de nuvens se reunindo tranquei a porta apavorada e; depois de ouvir a bateria da escola de samba do meu peito e contabilizar 315 borboletas brincando de pique-pega no meu estômago; respirei o ultimo suspiro cor-de-rosa da padaria e abri a janela.
Lá em baixo mulheres e crianças na chuva gritavam:
- PULA! PULA! PULA! PULA! PULA! PULA! PULA! PÚLA! PULA! PULA! PULA! PULA!
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