Olho da janela e vejo outras janelas.
Todas fechadas todos os dias. Até que um dia, sem que ninguém perceba ou sequer olhe para lá, uma janela se abre.
As pessoas aqui continuam a ler, escrever, pensar, falar, estudar. E eu a olhar a janela. Quem a teria aberto? Penso enquanto olho fixamente para o grande mistério da janela aberta.
De repente! Um susto! Tem alguma coisa se mexendo lá e não é a cortina como nos outros dias. Continuo a olhar e então ela surge, linda como uma princesa. Saíra a pouco do banho, eu consigo vê-la arrumando seu vestido florido no corpo.
Ela nem percebe a janela aberta, faz tudo como se cumprisse uma rotina. Pega o creme, passa no rosto com movimentos mais leves que um vôo. E finalmente vê. Já estava olhando a horas, mas agora ela vê. Percebe que tem um admirador a olhar. MOrrendo de vergonha, a única coisa que consigo fazer é dar um sorriso e continuar a admirar aquela bela doçura.
Em resposta ao meu abuso - que invasão a minha! - Ela fita-me com seu olhar terno e caloroso e me dá um lindo sorriso. O sorriso mais lindo que já vi. Que me transmitiu algo grandioso.
Ela continua sua rotina como seu eu não estivesse lá. Deita-se. Provavelmente já estaria dormindo agora. Mas eu continuo aqui, estático, olhando aquela janela com cortinas da cor vinho, a lembrar daquele sorriso lindo e esperando que talvez ela volte.
Até que alguém aparece e fecha a janela.
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